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Créditos da imagem: Mantraste e moradores do PER 11

O Estudo “Perspetivas do Desenvolvimento dos Jovens Residentes na Freguesia de Santa Clara em Lisboa, pós-pandemia Covid-19” está disponível aqui na sua versão completa e aqui na versão sumário executivo.


Muitas vezes, quando se trata de políticas públicas para o desenvolvimento social é comum que a atenção da comunidade e dos órgãos decisores se volte à infância e aos mais velhos. Mas quem melhor para apontar aquilo que funciona ou aquilo que ainda falta ou que precisa mudar senão os jovens? Suas capacidades, ideias, motivações, forças e talentos representam um grande potencial para a sociedade e seu desenvolvimento, pois compõem a futura geração.  


A juventude “é assim, o momento crucial no qual o indivíduo se prepara para se construir plenamente como sujeito social, livre, integrando-se na sociedade e podendo desempenhar os papéis para os quais se tornou apto pela interiorização dos seus valores, normas e comportamentos (…) é nessa oportunidade que a integração do indivíduo se efetiva ou não, trazendo consequências para ele próprio e para a manutenção da coesão social” (UNESCO, 2007:79


Com base nesta premissa, o estudo “Perspetivas do Desenvolvimento dos Jovens Residentes na Freguesia de Santa Clara em Lisboa, pós-pandemia Covid-19”, realizado pelos investigadores Hemma Tengler (coordenadora), Gabriel Medeiros, Ana Luiza Penna, Jéssica Tavares e Rafaela Almeida, buscou identificar as perspetivas de desenvolvimento, bem como o impacto da pandemia na vida dos jovens com idades entre os 15 e os 24 anos, residentes na freguesia. 


Santa Clara é um território de expansão urbana com características maioritariamente habitacionais, situada na periferia da cidade de Lisboa e que integra o programa Bairros e Territórios de Intervenção Prioritária (BIP/ZIP) assim designados pela Estratégia de Desenvolvimento Local da Câmara Municipal de Lisboa. Com os programas habitacionais e a reforma administrativa das freguesias da cidade de Lisboa, Santa Clara teve um aumento populacional considerável a partir dos anos 2000. Os resultados preliminares do Censos de 2021 demonstram que a população da freguesia cresceu 5.3% em relação a 2011, totalizando 23.673 habitantes, dos quais se estima que cerca de 30% sejam jovens com menos de 25 anos. 


Ao longo da realização do estudo, foram entrevistados mais de 40 jovens residentes em Santa Clara, bem como algumas organizações que atuam na freguesia, a fim de se conseguir um retrato da realidade vivida pelos jovens no local onde residem, quais suas perspetivas de futuro, suas dificuldades, quais as barreiras para alcançarem seus objetivos e como a pandemia afetou as diversas áreas de suas vidas. Foi possível identificar que a juventude compreendida na faixa etária de 15 a 24 anos é muito heterogênea e, compreendidos nessas juventudes, estão jovens com diferentes histórias, personalidades, perceções de mundo e sonhos. 

As juventudes de Santa Clara são diversas e têm ideias, planos, perspetivas, talentos, forças e motivações para mudar a realidade em que vivem e contribuir para que, em conjunto, possam se desenvolver pessoal e coletivamente.


Onde te vês daqui 05 anos? Quais seus planos para o futuro? Como sentiste os impactos da pandemia? Foram algumas das perguntas que realizamos aos jovens e muito do que foi extraído dessas entrevistas e através das associações foi convergente no que diz respeito às maiores dificuldades dos jovens, nomeadamente as financeiras, emocionais e académicas.  


A maioria dos entrevistados têm uma noção realista e madura do contexto sociocultural e racial no qual se integram, percebem o aumento de muitas fragilidades acarretado pela pandemia e têm muitas ideias e motivações para gerar mudanças sociais necessárias para o seu próprio desenvolvimento e para o desenvolvimento da zona em que vivem. 


No dia 23 de abril de 2022 foi realizado o lançamento do estudo na Quinta Alegre – Palácio do Marquês do Alegrete, no Campo das Amoreiras. O evento contou com a presença de jovens e representantes das associações entrevistadas, bem como da presidente da Junta de Freguesia de Santa Clara, Maria da Graça Pinto Ferreira. Após a apresentação do estudo e seus resultados, perguntamos aos presentes se os resultados foram surpreendentes e quase a totalidade disse que não.

Hemma Tengler na apresentação de lançamento do estudo.

Por um lado, o estudo conseguiu fazer um retrato fiel da realidade dos jovens na freguesia de Santa Clara, mas por outro lado, mesmo com o conhecimento sobre esta realidade ainda há muito trabalho a ser pensado e feito – não somente pelas organizações (que já fazem o que está ao alcance), mas pelas instâncias superiores de tomadas de decisões em termos de políticas públicas e planos de desenvolvimentos específicos e direcionados à camada jovem do território. 


As juventudes de Santa Clara são diversas e têm ideias, planos, perspetivas, talentos, forças e motivações para mudar a realidade em que vivem e contribuir para que, em conjunto, possam se desenvolver pessoal e coletivamente. Mas essa vontade não é o suficiente para gerar uma mudança expressiva que contribua para o desenvolvimento social da freguesia (e por que não de Lisboa como um todo). É necessária uma ação conjunta nos diversos níveis – das organizações, da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Lisboa – a fim de criar projetos específicos e incluir nos processos de decisão esta camada populacional que tem tanto a contribuir para a comunidade, mas que precisa de meios e oportunidades para fazê-lo. 


O evento foi encerrado com uma sessão cultural, na qual os jovens puderam se manifestar através da cultura e arte com apresentações de música e dança que contribuíram para o prestígio do público ao qual o estudo foi direcionado e que apesar das dificuldades enfrentadas, trata-se de uma juventude que existe e resiste e com a qual se pode ganhar muito para pensar o desenvolvimento local.

Grupo de dança Born 2 fail. 
Ronaldo, em azul. Helder, sentado com o violão. 

O Estudo “Perspetivas do Desenvolvimento dos Jovens Residentes na Freguesia de Santa Clara em Lisboa, pós-pandemia Covid-19” está disponível aqui na sua versão completa e aqui na versão sumário executivo.

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