Inovação e TecnologiaNotíciasSociedade Civil Organizada

Imagem em destaque: Pixabay, via Pexels


No atual contexto de incerteza e transformação na cooperação internacional para o desenvolvimento, a inovação tem-se tornado uma das principais preocupações de doadores (multilaterais, bilaterais e privados), mas também de organizações da sociedade civil. Mas o que significa inovar para o desenvolvimento na sociedade civil organizada? Que oportunidades e que desafios encontramos no sector? Por onde começar e que abordagens utilizar?  


Na semana passada, para refletir sobre essas questões, a Oficina Global realizou o webinário “Inovação para o Desenvolvimento na Sociedade Civil Organizada”. O evento online foi organizado em parceria com a Plataforma Portuguesa das ONGD no âmbito do projeto de investigação “Mudança e Inovação nas ONGD Portuguesas”, financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua


O debate, moderado por Ana Luísa Silva da Oficina Global e investigadora doutoranda no Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento (CEsA), contou com a participação dos convidados Kees Biekart, Professor Associado de Sociologia Política no International Institute of Social Studies, Erasmus University em Rotterdam, Munir Ahmad, Global Innovation Lead na Aga Khan Foundation, e Wenny Ho, Senior Staff Learning, M&E and Knowledge, Strategy and Impact na ONG Hivos.


“A inovação social é uma forma de criar valor acrescentado para as pessoas que servimos, através da criação de soluções com potencial para terem maior impacto, serem mais eficientes em termos de custos e mais sustentáveis quando implementadas a larga escala”.

Munir Ahmad, Aga Khan Foundation 


O Professor Biekart iniciou as apresentações com uma provocação: “a maioria das intervenções das ONG não estão de fato contribuindo para solução dos problemas, não são de fato transformativas, estão lidando com os sintomas e não com as causas”. Assim, abordou os desafios para as organizações da sociedade civil na inovação para o desenvolvimento em um contexto em que essas organizações estão cada vez mais ativas, mas também sob maior pressão relativamente à sua legitimidade, comprovação de resultados, credibilidade e sobrevivência. 


No setor da cooperação para o desenvolvimento, Ana Luísa ressaltou que a inovação é uma resposta bem como uma consequência de todas as transformações e desafios globais ao desenvolvimento. Embora não seja um tema novo e esteja presente em várias esferas da sociedade, a inovação ganhou força com a Agenda 2030. Entretanto, o conceito de inovação às vezes acaba por ser usado pelas organizações da sociedade civil como ferramenta de marketing e angariação de fundos e por isso é importante o trabalho de olhar para estas e perceber como e porque estão a inovar.  



As apresentações de Munir Ahmad e Wenny Ho trouxeram as perspectivas de suas organizações acerca da inovação. Munir Ahmad começou por desconstruir o que comumente entende-se por inovação, afirmando que a ideia de inovação como um fenômeno ligado apenas a tecnologia é equivocada e destacou o conceito de inovação social. Este tem um aspecto diferente: “a inovação social é uma forma de criar valor acrescentado para as pessoas que servimos, através da criação de soluções com potencial para terem maior impacto, serem mais eficientes em termos de custos e mais sustentáveis quando implementadas a larga escala”. 


Assim, há uma diferença no ponto de partida da inovação de acordo com o cenário em que acontece. Enquanto que no mundo dos negócios inicia-se por onde está o dinheiro, a inovação social centra-se nas necessidades das pessoas. Para Munir, é a partir desse entendimento que as organizações conseguem pensar como podem ajudar. Na Aga Khan Foundation, a estratégia utilizada busca envolver as comunidades na elaboração de soluções desde o início por meio de uma metodologia participativa, o Human-Centered Design (Design Centrado em Seres Humanos) que busca entender e definir o problema antes de encontrar soluções. 


Wenny Ho também começou por definir o que é inovação e apresentou o modelo 4P, em que esta pode ocorrer relativamente a um dos seguintes aspectos: produto, processo, posição e paradigma. A inovação social, considerada dentro do modelo 4P, encontra espaço para acontecer em todos os níveis. No entanto, a partir da experiência da Hivos, destacou alguns dilemas e barreiras que as ONG podem enfrentar quando estão a inovar. A inovação nem sempre permeia todos os níveis da organização e muitas vezes está direcionada para obtenção de financiamentos. Ademias é preciso compreender a inovação como parte da mudança social. 


O debate sobre o tema levantou várias reflexões entre os participantes, a maioria membros de organizações da sociedade civil, interessados em pensar a inovação no contexto de suas organizações. O cenário atual da cooperação para o desenvolvimento é complexo e a inovação é cada vez mais um aspecto essencial para que as organizações da sociedade civil continuem a ter impacto significativo na vida das pessoas. 


Podes assistir a conversa na íntegra em nosso canal no YouTube e caso te interesses pelo tema da inovação, a Oficina Global recomenda a leitura do relatório “Inovação para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”. Também podes acessar os links para alguns recursos partilhados pelos convidados durante as apresentações: 

• Human Centered Design:Recursos da iniciativa “Schools for 2030” (inclui toolkit), Como o “Human Centered Design” pode fazer com que os professores inovem e ajudar a alcançar o ODS4? (vídeo) 

• Inovadores Sociais:Hivos: inovadores sociais em África, Endev: Inovação em género e energia 

• Laboratórios de Mudança Social:Energy Change Lab,Living Wage & Income Lab, Uganda Food Change Lab 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados *

Enviar