Descolonizar o DesenvolvimentoEducação para o Desenvolvimento

Créditos da imagem: Tanya Korniichuk via The Greats/Fine Acts.


Quando nos propomos a pensar no conceito de Desenvolvimento viajamos para décadas históricas que se vão distanciando cada vez mais do tempo presente. Este surge no contexto do pós-2ª Guerra Mundial e, ao longo dos anos, tem dado provas das tendências negativas que provocou em muitos dos países que eram, na altura, considerados “subdesenvolvidos”. Todavia, durante estes mais de 70 anos, as organizações que têm mantido e promovido este “Desenvolvimento” (seja Organizações Mundiais, Estados e até empresas multinacionais), procuram de forma persistente a renovação contínua do conceito, não perdendo a “esperança” num mundo mais justo, solidário e equitativo do que o atual.


Como se tem desenvolvido em vários temas trazidos para este blogue, também o projeto ED-Comunicar: do conhecimento à mobilização, se propôs a tratar da temática do Desenvolvimento. Com base nos seis temas do Referencial de Educação para o Desenvolvimento, este documento de referência propõe que os alunos e alunas do 1º ao 3º ciclos do ensino básico sejam capazes de “identificar o que não é o desenvolvimento e de refletir criticamente sobre a sociedade e sobre o mundo que querem”, através da mobilização de capacidades e princípios relacionados com  “o bem-estar económico, social, cultural e político numa lógica de respeito pela natureza e pela liberdade das pessoas e das sociedades, assente nos valores da justiça, equidade e solidariedade”.


Assim, o nosso projeto propôs-se a ir além do sistema de ensino, e mais uma vez, em mais um estudo elaborado pela dupla da A3S (Carlota Quintão e Joana Marques), apresentamos “A urgência de ler o mundo: Desenvolvimento”. Neste novo itinerário (re)visitamos os vários significados que o conceito de Desenvolvimento foi assumindo ao longo das décadas, “à medida que se foi ajustando às críticas, às transformações da realidade, às consequências da sua própria narrativa.” Mas as autoras conduzem-nos num percurso que nos propõe a ir além do próprio conceito, trazendo para o debate as possibilidades de um “outro mundo”, com a Agroecologia, o Decrescimento, o Buen Vivir e o Ubuntu para serem explorados.

“Outro mundo é possível” – Exemplos do Norte ao Sul, do local ao global – Ficha (in)formativa Desenvolvimento


Em traços gerais, o estudo remete-nos para questões como: o que é o desenvolvimento e até que ponto este conceito nos serve ainda hoje, após décadas de debates, reformulações e contrapropostas? E como é que cada uma e cada um de nós perceciona este tema? Que lugar ou que poder, é que cada um de nós tem ou pode assumir no desenvolvimento, tendo um papel profissional ou voluntário neste campo ou simplesmente como cidadão ou cidadã?; apontando  o foco para a importância crucial da Educação para o Desenvolvimento e Cidadania Global (EDCG). Esta fornece um enquadramento para a análise crítica e de encorajamento do diálogo, permitindo assim uma compreensão mais profunda das complexidades que envolvem os desafios que o mundo hoje enfrenta (dos múltiplos focos de guerra aos desastres ambientais cada vez mais frequentes, por exemplo). É neste sentido, de desafio dos estereótipos e de olhar para dentro de cada um e uma de nós, que propomos o Barómetro de EDCG para o Desenvolvimento.

Barómetro de EDCG para o Desenvolvimento


“Reconhecidamente, as capacidades e os saberes hoje não se limitam a acumular conhecimentos temáticos ou à reprodução de modos de fazer funcionalistas. Como vimos ao longo deste e dos restantes estudos desta coleção, há um conjunto extenso de competências que nos são cada vez mais exigidas, tais como: o exercício da ética, a gestão de conflitos, a inteligência emocional, o pensamento crítico, sistémico e exploratório… Em particular, a EDCG convoca ainda para o exercício da autorreflexão e da reflexividade subjacente aos processos de tomada de consciência e à ação transformadora.”


O Barómetro de EDCG para o Desenvolvimento procura desenvolver estas competências ao nível individual e coletivo. Tendo sido já experimentado em contextos educativos, junto de alunos universitários, esta ferramenta tem revelado uma riqueza profunda quando cada um e cada uma dos/das intervenientes são sujeitos a este exercício de parar e refletir nos seus posicionamentos enquanto cidadãos e cidadãs face ao conceito de Desenvolvimento. Atreva-se também a colocar estas questões nos seus múltiplos âmbitos de intervenção, repensando o que significa ou poderá significar este conceito no presente e no futuro próximo.

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